QUINTA-FEIRA

QUINTA FEIRA




O caminho que trilhamos é algo simplesmente fantástico, não no sentido raso de ser bom ou mau, mas no sentido profundo de ser vasto, imprevisível, quase indomável. Uma aventura que não pede permissão, apenas acontece.


Ao longo da minha vida, atravessei extremos: horrores que me ensinaram o peso da existência, carências que ecoaram no silêncio, medos que se instalaram no corpo. Mas também encontrei maravilhas nas amizades que me seguraram, nos acontecimentos que me abriram, nas memórias que me lembram que nunca estive completamente só.


Hoje começo a perceber, não só com a mente, mas com o corpo inteiro, que aquilo que sou é uma conversa viva. Uma conversa entre o que herdei (histórias, dores, forças, silêncios…) e aquilo que o presente me pede para ser.

Entre a ancestralidade e o instante.

Entre o que foi e o que ainda pode ser.


E talvez a dor mais funda não venha apenas do que nos aconteceu, mas da forma como nos desligamos de nós próprios. Da forma como, em certos momentos, começamos a acreditar que somos a nossa pior versão. Que aquilo que sentimos nos define por completo. Que a carência é quem somos, e não apenas algo que simplesmente… atravessamos!


Mas a vida é mais… A vida é abundante. Não separa o melhor do pior em compartimentos limpos. Tudo acontece ao mesmo tempo. A luz e a sombra coexistem. A alegria não apaga a dor, e a dor não invalida a beleza. Somos feitos desse entrelaçar constante, dessa tensão criativa entre queda e expansão.


Na maioria esmagadora maioria dos dias, acordo com ansiedade. O corpo já em alerta, a mente a correr à frente: trabalho, responsabilidades, dores antigas, injustiças que não cessam, um futuro que insiste em não se deixar prever. Um peso que parece não ter nome, mas que se faz sentir em tudo.


Mas hoje… hoje foi diferente.


Hoje acordei com clareza. Não porque tudo tenha mudado, mas porque algo em mim se alinhou. Como se, por um instante, eu tivesse reencontrado o Eu que Sou.


… Voltei a escrever. Voltei a sentir. Voltei a imaginar.

E nesse gesto simples, quase silencioso, lembrei-me:

a vida não é apenas para ser suportada…
… É para ser criada, vivida e testemunhada!


Mesmo quando dói.

Mesmo quando falta.

Mesmo quando duvidamos de quem somos.


Porque no meio de tudo isso, ainda existe movimento.
Ainda existe possibilidade.
Ainda existe eu.

… E ainda é apenas quinta-feira.


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