QUINTA-FEIRA
QUINTA FEIRA O caminho que trilhamos é algo simplesmente fantástico, não no sentido raso de ser bom ou mau, mas no sentido profundo de ser vasto, imprevisível, quase indomável. Uma aventura que não pede permissão, apenas acontece. Ao longo da minha vida, atravessei extremos: horrores que me ensinaram o peso da existência, carências que ecoaram no silêncio, medos que se instalaram no corpo. Mas também encontrei maravilhas nas amizades que me seguraram, nos acontecimentos que me abriram, nas memórias que me lembram que nunca estive completamente só. Hoje começo a perceber, não só com a mente, mas com o corpo inteiro, que aquilo que sou é uma conversa viva. Uma conversa entre o que herdei (histórias, dores, forças, silêncios…) e aquilo que o presente me pede para ser. Entre a ancestralidade e o instante. Entre o que foi e o que ainda pode ser. E talvez a dor mais funda não venha apenas do que nos aconteceu, mas da forma como nos desligamos de nós próprios. Da forma como, em certos momento...